Crítica e Razão

Screen Shot 2016-02-16 at 20.59.23Vivendo num país dito de terceiro mundo nos acostumamos a  ouvir críticas aos Estados Unidos da América. Raramente concordo com essas críticas. Normalmente o crítico adota uma posição infantil ao culpar o outro pelo seus erros. Outro problema me parece sempre o desconhecimento da realidade dos EEUU. Já ouvi dezenas de loucuras a respeito do número de pobres de Nova York e outras sandices sobre a economia ou petróleo (inclusive que a queda do preço do barril de petróleo era uma manipulação americana para destruir o pré-sal)

Passando uma temporada maior por aqui me defrontei com debates no Senado sobre imigração e agora com a campanha presidencial para as eleições 2016. Assim tenho presenciado pessoas com conhecimento de causa comentarem e analisarem com propriedade alguns aspectos da realidade americana. Há muita diferença na análise não há dúvida.

Recentemente tambem vi o filme do Michael Moor “Where to Invade Next”. Nele, o diretor visita diversos países com a intenção de fincar uma bandeira americana e trazer para os EEUU o que o outro tem de melhor. Interessante crítica a realidade americana e uma outra visão do que cada país tem a oferecer. O filme foi aplaudido ao final por uma platéia predominantemente branca do Norte do EEUU.

Das inúmeras e bem fundadas críticas que tenho ouvido duas me pareceram extremamente graves e surpreendentes, uma vez que não ouvi dos criticos contumazes uma palavra a respeito. A primeira é a militarização do espaço. A segunda é a privatização dos recursos minerais a serem encontrados em corpos celestes. Todos os dois temas afetam toda a humanidade. Os quase 7 Bilhoes de habitantes do planeta serão impactados por estas decisões e no entanto nunca tinha ouvido nada.

Vou escrever dois artigos, um sobre cada tema, abordando alguns argumentos que foram elencados nas análises. Assim sugiro aos críticos que vejam os debates no Senado americano ou a campanha presidencial para arranjarem argumentos mais consistentes nas suas críticas.

Mangueira campeã e a rede Globo dando noticia ruim

Este longo tempo longe do Rio e dos amigos traz sempre momentos de reflexão. Motivado pela inesquecível vitória da Mangueira no carnaval carioca vi pela primeira vez em muito tempo o Jornal Nacional da Rede Globo Internacional.

Triste constatação foi ver que o complexo de vira-lata assola essa emissora de forma inequívoca. Só notícia ruim, depreciativa, a qualquer tema nacional.
Nao se trata de ser contra o governo, esta emissora é contra a Nação Brasileira.

Divulga com trombetas o péssimo resultado num teste de matemática obtido por estudantes brasileiros. Não os vejo na divulgação dos feitos da mesma juventude nas Olimpíadas de Matemática, ou de Física. Nao os vejo enaltecendo o trabalho de milhares de pessoas que realmente fazem desta Nação uma das maiores do mundo.

A geração que ganhou o título para a Mangueira é fundamentalmente de “crias” . Homens e mulheres relativamente jovens que construiram com muito trabalho uma das maiores expressões da cultura popular brasileira neste carnaval de 2016.

Aceitar o resultado internacional do teste de matemática é concordar que ele serve para medir a inteligencia ou o preparo de um estudante brasileiro.
Se no teste houvesse o quesito ritmo, composição harmonica, divisão ritimica, duvido que japoneses, chinese ou coreanos conseguissem os mesmos resultados.

Essa geração tem o Petterson Oliveira,Pepito, que estreou com 13 anos no Rock in Rio, Tem o Dowglas Diniz que canta desde a Mangueira Do Amanhã, tem o Taranta Neto e a Evelyn Bastos. Tem o Vitor Art o Rodrigo Bocoia e muitos outros que transformam ritmos em sons adoráveis. Todos eles segunda ou terceira geração de mangueirenses.

Alguns deles estão neste momento na Suiça representanto o pais e mostrando algumas coisa que criamos. Vários deles efetivamente tem dificuldade em escrever corretamente mas o que fazem esta alem de avaliações que um teste criado por quem pode estudar preparou.

Viva a juventude brasileira, criativa, combativa, laboriosa que sabe que não vai ter nada de graça e tem que lutar para conseguir alguma coisa.

Palavrão novo!

miami-875148_1920Em todas as linguas existe uma forma de se ofender o outro.  Aqui no Brasil criou-se uma nova idéia de ofensa. Aos “Coxinhas” manda-se para Miami e aos “Petralhas”  grita-se “vai pra Cuba”. Não se xinga a mãe ou acrescenta-se um adjetivo impróprio. Apenas manda-se o outro a um lugar querendo com isso retratar toda a indignação que esta opção contem.

Miami seria assim o concentrado do que de pior existe em termos de cafonice e alienação enquanto Cuba representaria o atraso a que convicções ultrapassadas levariam toda uma população.

Não estive em Cuba mas posso falar um pouco sobre Miami. Nesses últimos quarenta anos foi das cidades que mais se modificou, modernizou e efetivamente representa uma variedade cultural única. Aqui representantes de toda America Latina dividem o espaço alem de Italianos, Portugueses e Espanhóis. Dezenas de empresas com atuação continental escolheram esta cidade para sede de suas operações tornando assim Miami a capital da America Latina.

O espanhol é ouvido em todas as partes da cidade mesmo nos negócios e comércio em geral. A presença de brasileiros sempre existiu e agora volta a ser representativa com investimentos na construção civil e em tecnologia. Não chega assim a ser tão ruim o xingamento. Pode vir para Miami!

 

Pesadelos Eletrônicos

El CaptainRecentemente vivi um daqueles pesadelos com os aparelhos eletrônicos que uso. Começou com meu Mac que cismou de apagar quando estava fazendo uma importação de arquivos de vídeo de uma filmadora Sony, logo depois de ter feito uma atualização para o sistema operacional Yosemite.  Depois a impressora HP deu uma travada quando estava imprimindo uns 8 documentos. Em seguida recebi a noticia que a bateria do meu notebook HP não estava carregando. O botão do IPhone resolveu não responder mais. Para cada um desses problemas algumas horas de consulta a base de conhecimento para saber como resolver.
Logo depois a coisa foi piorando. O Mac simplesmente travou na famosa tela cinza, o notebook começou a desligar do nada e o IPhone mostrou a temida tela preta. Mais horas de pesquisa e verifiquei que o cooler no notebook tinha parado, umas voltas no Saara conheci um desses craques de IPhone que trocou a bateria deu uma limpadinha com uma escova de dentes e fez o bicho voltar a vida. Quanto ao Mac resolvi seguir em frente e fiz a atualização para o novíssimo sistema operacional El Capitan. Continuo em alerta máximo mas esta funcionando.

Patrimonialismo e a realidade Latino Americana

Patrimonialismo e a realidade Latino Americana

Ricardo Vélez Rodriguez

Resumo feito por Eng. Antonio Carlos Gomes Siqueira
Pesquisador do Grupo de Pensamento Brasileirofoto

Logo na introdução o autor nos alerta

Os sucessivos escândalos que estão abalando, cada dia mais, a fé dos cidadãos nas Instituições revelam um mal que se tornou endêmico no Brasil e na América Latina. O Estado é visto e administrado, pela classe política, como um bem de família. Diríamos que esse é o principal problema que atravanca o desenvolvimento no nosso continente.

Depois passa a examinar alguns dos teóricos que ajudam a entender o Estado como existe hoje

Max Weber entende o Estado como “uma comunidade humana que pretende, com êxito, o monopólio do uso legítimo da força dentro de um determinado território” Portanto a noção básica de Estado, para ele, é a de violência legalizada. A política, nesse contexto, pode ser definida como o conjunto de esforços feitos com vistas a participar do poder ou a influenciar na sua divisão, seja entre Estados seja no interior de um único Estado.

Weber distingue três tipos puros de dominação legitima

que não se materializam, enquanto tais, mas que podem caracterizar, em maior ou em menor grau, misturando-se, as concreções históricas do Estado.

Esses três tipos de dominação são: a racional, tradicional e a carismática.

Na primeira, a autoridade de quem exerce a dominação alicerça-se na crença da comunidade respectiva na legitimidade da ordem estabelecida.

Na dominação tradicional, a autoridade alicerça-se na crença da comunidade em certas tradições que a consagram

Na dominação carismática, a autoridade alicerça-se na crença da comunidade no valor excepcional que para ela tem determinada personalidade.

Explica também o que esta acontecendo com a enorme massa de jovens que se dedica a preparação para conseguir um emprego público e a existência dos quadros de nomeação presidencial

O patrimonialismo é caracterizado por Weber como aquela forma de dominação tradicional em que o soberano organiza o poder político de forma análoga ao seu poder doméstico. Ao lado da organização do poder político segundo o modelo doméstico, é igualmente essencial ao patrimonialismo a estruturação do quadro administrativo, por intermédio do qual se exerce a dominação.

Vai alem quando mostra que

Isso leva à valorização, no contexto patrimonialista, das funções administrativas apropriadas ou controladas pelo soberano, como instrumentos que garantem seu poder. Por isso, sob esse angulo, o patrimonialismo colide frontalmente com o feudalismo, que promove a redução das funções burocráticas. A fim de controlar qualquer surto de dignidade (de autoridade baseada nos sentimentos de independência e honra das camadas nobres), a dominação patrimonial manipula as massas desprotegidas mediante o paternalismo de Estado, ensejando assim o ideal do “pai do povo” tão comum em contextos patrimoniais, como o russo.

Cita também Paul Milukov

Toda organização que confere aos seus representam um poder sem controle sobre os dominados, pode ser considerada um aparelho. Ao contrário do Estado submetido ao controle das sociedades com centros múltiplos, o estado,na sociedade hidráulica, fortemente centralizado constitui um verdadeiro aparelho.

Alem de

Wanderley Guilherme dos Santos propôs a categoria de autoritarismo instrumental como síntese expressiva do patrimonialismo brasileiro. Trata-se da ideia de  que o Estado patrimonial brasileiro, ao assumir a feição modernizadora, pode evoluir no sentido da construção das instituições modernas (liberais)

Indica ainda que Antonio Paim sugere

O caminho que o Estado brasileiro deve percorrer para sair do patrimonialismo será talvez semelhante,  ao trilhado pelos Estados europeus ocidentais, que conseguiram fazer surgir, após o ciclo keynesiano denominado “os trinta gloriosos anos”, não o neocapitalismo como nos Estados Unidos, mas a socialdemocracia, que juntou os princípios de justiça social e de liberdade.

Fala também que

O ponto central desse modelo mercantilista consiste na suposição de que compete ao Estado empresário garantir a riqueza da nação. A sociedade só competiria encostar-se nele, para enriquecer a sua custa. Essa é a convicção que, ainda hoje, alimenta a demanda dos empresários pelo lucro subsidiado, bem como a reserva de mercado, o empreguismo estatal e a tendência à corrupção (entendida como o enriquecimento dos cidadãos com o dinheiro publico).

É bom lembrar aqui o sentido em que o termo corrupção é entendido, a luz do pensamento aristotélico: algo se corrompe, quando perde sua substancia, o que no terreno da política equivale a dizer; “quando o Estado perde sua razão de ser”. Os pensadores da segunda escolástica ibérica, Francisco Suarez” notadamente, chamavam a atenção para a perda de sentido do Estado, quando este deixava de zelar pelo bem-estar dos cidadãos ou, em outros termos, quando deixava de procurar o bem comum.

Diz claramente que

Os indivíduos e as classes sociais são afetados pelo complexo de clã, fenômeno que foi especialmente estudado por Oliveira Vianna. Esse complexo consiste em estender a solidariedade social só aos membros do clã parental ou político. Produz, em primeiro lugar, o insolidarismo, responsável pela fragilidade do tecido social e, em segundo lugar, enseja a tendência privatizante do Estado “para beneficiar amigos e lascar inimigos”, conforme reza o ditado popular. A prática do nepotismo constitui o principal caminho por meio do qual se pretende a privatização do Estado.

É melhor ser parente de um funcionário do que ser um intelectual. Da mais resultado se filiar a uma patota do que ser competente e honesto; e não ha elevados pensamentos, nem profundos estudos, nem conduta irrepreensível que valham nada equivalente a matrícula na clientela de um Cacique. A vasta teia desses interesses criados se mantém “Pelo silencio, pelo imobilismo e pela falta de transparência”.

Em resumo, um livro essencial para que se entenda o que acontece na América Latina como um todo e especificamente os caminhos que trilha a política pública brasileira, independentemente dos nomes que a compõem.

Eng. Antonio Carlos Gomes Siqueira

Pesquisador do Grupo de Estudos do Pensamento Brasileiro

Samba enredo uma história

A disputa entre compositores de uma escola de samba é muito interessante. São dezenas de parcerias que se estabelecem para inscrever um samba que pode ser o hino da escola na avenida. Aqui voce vai ver uma das equipes que estão na disputa do samba para a Mangueira em 2014.

Olhe a letra

Brasil Terra da dança e esperança
Caminhando juntos começamos  a mudar
Mangueira lhe convida, traz sua festança
Venha cair no samba, vamos festejar
Começa a festa a mata é avenida colossal
O Índio dança ao som do tamboril do seu Cabral
Na era colonial o branco entristecia a folia
Calando o canto de alegria
Negro escravizado canta forte, a vontade de clamar a liberdade
Salve o congado Chico Rei é coroado, festeja Santos e Orixás
Benção Mainha
Iemanjá nossa Rainha
Sua força vim pedir, pra sambar na verde e rosa
Com o coração em festa, brilhar na Sapucaí.
Entre fitas e chitas boiada bonita
Santos Reis são sagrados
Se achegue Sá Menina, sacoleja no xaxado
Toca sanfoneiro a noite é linda de São João
Faz a festa da Videira, gente do meridião
Bravos guerreiros, Garantido e Caprichoso
Seu festejo é famoso
A moçada do arco-íris solta plumas, paetês
Com amor e humildade mil aplausos à vocês
Brindar o ano novo é tradição do povo, vão ao mar comemorar
Saudade de antigos carnavais
Quem tem medo de careta, viva o cordão da bola preta
Saudações aos imortais, sambistas dão um show na avenida
a festa vai continuar, um abraço sincero da Mangueira querida
Canta Estação Primeira
De norte a sul desse Pais
Exalta a Nação Brasileira
Levanta a bandeira, faz o povo feliz.

 

Veja aqui o Making off

 

Uma Bateria, muitas alas

DSC05885Quando se vê na avenida Marquês de Sapucaí dezenas de ritmistas tocando o samba enredo de uma escola, pode-se imaginar que esta sincronicidade é obtida pelo dom inato dos bateristas. Nada mais falso. O ritmo é apenas a base para um longo treinamento onde várias opções são testadas até que se chegue a um casamento perfeito entre a música e letra do samba e a sua “levada”. Todas as nuances são exploradas e o resultado é tão perfeito que parece que nasceu assim.

Veja aqui uma das alas da bateria da Mangueira, a que toca o Timbau, ou Timbal, treinando a sua parte no espetáculo.

Um dos instrumentos ancestrais da humanidade este tipo de tambor acompanha o homem no seu desenvolvimento ao longo de milênios. Serve para guerra, para paz e até para cultos religiosos.

Para as dezenas de pessoas que não conseguem distinguir as nuances de cada toque espero que este vídeo ajude a compreender melhor o que é uma bateria de escola de samba.

Haverá ainda uma terceira parte na qual os ritmistas farão uma espécie de desafio, cada dupla tocando de forma diferente  e cada vez mais difícil.

Escola de Samba Mangueira. Os Timbaus descem a ladeira, tocando.