Clube atômico no Oriente médio


Cresce a necessidade de melhor definição das regras para utilização pacífica da energia nuclear. O Irã anuncia a licitação de duas novas usinas, com capacidade de produção entre 1.000 a 1.600 Mw (mais ou menos o tamanho de Angra 3). Diz, inclusive, que empresas dos EUA podem participar da licitação.

Ao mesmo tempo, o presidente Mahmoud Ahmadinejad afirma que o Irã está preparado para produzir urânio enriquecido em escalas industriais. É um direito os países do Oriente Médio tentarem desenvolver armas com potencial de destruição nuclear, já que Israel sabidamente as tem? Os países participantes do Grupo de Cooperação do Golfo, Bahrain, Kuwait, Oman, Qatar, Saudi Arabia e United Arab Emirates já firmaram protocolos de cooperação para a utilização de energia nuclear com fins de geração de energia elétrica e dessalinização de água.

Este é um outro problema. A água para ser dessalinizada precisa de largas quantidades de energia elétrica. Como gerar? Utilizando combustíveis fósseis? As fontes alternativas de energia, como eólica e solar ainda não apresentam níveis de capacidade de geração que permitam sua utilização nesta escala. A melhor relação espaço kw/h gerado é a das plantas nucleares e a gás.

O projeto Álamo custou alguns milhares de dólares e levou à construção das primeiras bombas. Com o conhecimento que se tem hoje, não é difícil que mestres e PHDs reunidos em um centro qualquer produzam condições para refazer uma bomba de mesmo estilo. Esta é a sombra que persegue quem quer trabalhar no ramo. O conceito de bombardeio do núcleo atômico é bem simples. Chega a ser tentador experimentar. Quem já fez a bomba sabe disso.

O volume de recursos investidos por estes países na formação de mestres e doutores em Ciências permite esperar que, tendo um líder de projeto, como Oppenheimer, num prazo inferior a dois anos, um artefato nuclear estará pronto. Transportar e acertar o alvo é outro problema.

O recente acordo Brasil-Índia na área nuclear nos força a repensar a estratégia adotada para o setor. Queremos produzir energia elétrica a partir da geração nuclear ou continuaremos a inundar extensas áreas com os riscos que daí também decorrem? Vamos reconhecer que a crise de energia e água está a nossas portas ou ficaremos no berço esplêndido? Retomaremos nossos esforços na formação de doutores e mestres ou os deixaremos a míngua como já fizemos a 30 anos atrás?

Em todos os fóruns de discussão, a matriz energética é a estrela. Não se trata de diminuir o tamanho dos carros dos americanos, ou mesmo aumentar a eficiência de seus sistemas ou mudar o "american way of life". O binômio água/energia é que mandará nos acordos e interesses nos próximos 20 anos.

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