Um legítimo Bresson


Bresson3Um condenado a morte escapou é um filme de Robert Bresson lançado em 1956. Ou seja, um pós guerra onde filmes otimistas, que valorizassem o esforço individual, a persistência, a luta contra o destino eram bem aceitos e aguardados pela plateia.

O inimigo é a Alemanha nazista, embora esta função no filme fique completamente desimportante. O inimigo não é individualizado, não há um chefe de cadeia. Os capacetes alemães simplesmente passam e dão ordens. Banais, tipo levanta, anda, vai! Não ha agressões desnecessárias, nada de tortura ou sadismo. Apenas a eficiência alemã. Horários rígidos, disciplina clara. Hora de lavar o rosto. De comer. De jogar os dejetos fora. O dia a dia de uma cadeia durante a ocupação alemã.

O sagrado direito de um militar prisioneiro é a tentativa de fuga. E ele se empenha nesta tarefa. Com esforço, técnica, planejamento. O objetivo final tem vários pré-requisitos. As primeiras vitórias marcam as diferenças. Como se libertar das algemas? Mesmo estando preso em uma cela, é uma vitória importante. Como conseguir uma espátula? A colher, transformada em ferramenta é o primeiro passo. Como fazer uma corda que o sustente durante a descida? Como fazer um gancho e quantos ganchos seriam necessários para chegar ao muro final? Passo a passo o plano vai sendo executado.

Bresson sabe fragmentar uma cena de forma a que o todo seja entendido pela parte. E ele faz isso com maestria. São mãos, que trabalham. Pertencentes a cabeças que pensam. A corpos que desejam a liberdade. A corações que teimam em sonhar com melhores dias.

O desenho sonoro segue o mestre. Se a tensão pode ser mostrada pela imagem não se reforça. Na primeira tentativa de fuga só o som descreve o que se passa fora do quadro. Quando o som da bicicleta é utilizado você consegue seguir o tempo em que ele vai retornar, criando assim outros elementos de tensão, ampliando  o espaço e o tempo.

A citação bíblica ou subtítulo é apropriado “O vento sopra onde quer” mantem a esperança de que o esforço será recompensado.E os bons sobreviverão aos maus.

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