Tecnologia nos novos escândalos


Nextel2Um dos pontos comuns nos atuais escândalos é o uso de tecnologia. Esta ferramenta tão desprezada pelos políticos está sendo usada exatamente para puní-los. As escutas telefônicas vazadas tão detalhadamente para o Jornal Nacional vem de grampos efetuados pela Polícia Federal com autorização judicial. Como são feitos estes grampos?  O sistema da Polícia Federal é chamado de “O Guardião” e já é fabricado no Brasil. Existem pelo menos 100 equipamentos oficiais de grande porte utilizadas nas Secretarias de Segurança, além da Polícia Federal. Estes equipamentos de escuta tem uma grande capacidade de interceptação simultânea, cerca de 5.000 ligações. Isto permite afirmar que é possível que 500.000 ligações sejam monitoradas simultaneamente por dia. Ao fim de um dia milhões de ligações podem ter sido gravadas. Como os arquivos são digitais, a gravação se dá em dispositivos de armazenagem comuns com encriptação, protegidos por palavras chave ou biometria. Os protocolos de voz comprimem estes arquivos de forma a torná-los compactos. A armazenagem de dados tem barateado o que permite um grande volume de armazenamento a preços baixos.

O novo modelo de gerenciamento de interceptação, chamado Sistema de Interceptação de Sinais (SIS), começou a ser negociado com o CNJ, Ministério Público e Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Nele as operadoras de telefonia são excluídas do processo de interceptação e o Judiciário tem controle informatizado sobre todas as autorizações e sobre a data de  início e fim de cada uma.

Segundo a lei, apenas a Polícia Federal, a Polícia Civil e membros do Ministério Público podem pedir autorização da Justiça para realizar escutas. As atuais informações permitem supor que inúmeros outros agentes fazem interceptações sem autorização e mesmo os que fazem  com autorização vazam as mesmas sem autorização. Em  2007, 409.000 autorizações judiciais de captação e gravação de conversas telefônicas foram concedidas. De lá para cá cresceu muito a utilização deste recurso que tem se mostrado de grande efetividade no combate ao crime organizado ou de colarinho branco. Os órgãos de inteligência julgam que este é atualmente o melhor recurso no combate ao crime em geral, aliado a denúncia anônima.

Assim uma das preocupações dos grupos que pretendem ter suas conversas mantidas em sigilo é a possibilidade de evitar o grampo. Este foi exatamente um dos grande erros  do grupo de políticos ligados a Cachoeira.  O mau uso da tecnologia, uma vez que acreditavam que os aparelhos que usavam eram antigrampo por terem sido habilitados pela Sprint Nextel,nos Estados Unidos.  Mesmo um aparelho habilitado nos EUA, para ser usado no Brasil, precisa se conectar a uma torre de transmissão operada por uma empresa brasileira, que está sujeita a ordens judiciais do país. O funcionamento da rede da Nextel, chamada iDEN, é parecido com o da GSM: as conversas são codificadas, mas, em algum momento, a operadora tem acesso “limpo” a esses dados.

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