Reflexões sobre o Pensamento Brasileiro


Ao compararmos nossa trajetória com a dos países que lideraram o mundo nas últimas décadas vem-nos a idéias de como será a nossa contribuição à civilização. Aprendemos que os ideais europeus, embora muito variados, produziram uma estética de comparações, combate, disputas, guerras, ambições, incontáveis progressos e grandes tragédias.

Nos últimos 500 anos no mesmo berço em que foram geradas obras de arte do nível das composições de Bethoven, Mendelson, Mozart, Bach, dos quadros de Velasques, Goya, Van Gogh,Rembrandt, esculturas como as de Leonardo da Vinci, Pietro Bernini, Benvenuto Cellini, Michelangelo  que nos brindam até hoje com sua beleza e concepção artística, também foram alimentados conceitos cruéis.

É impossível aceitar as idéias escravagistas que prosperaram por mais de 300 anos. É inexplicável a dúvida a respeito da origem dos índios e se os mesmos tinham alma. A entrada dos europeus nas Américas em 1500 é uma das mais trágicas histórias que se tem notícia. A colonização da Índia e da África do Sul,  nos deixa perplexos até hoje. A postura predadora em relação a países como o Egito e a Grécia mantem-se inexplicáveis.

As guerras durante o século XX mostraram o poder destruidor do homem europeu contra seus semelhantes. As guerras na África mostram que a crueldade não tem cor. A disputa no Oriente Médio mostra que as religiões não nos protegem contra a ignorância. A continuação de conflitos bélicos no alvorecer do século XXI indicam que há um longo caminho a ser percorrido até que o entendimento e o respeito ao outro seja a principal arma na mesa de negociações.

Liderados por homens com histórico de vida de enorme ascenção social durante a sua trajetória, o Brasil entra em cena como novo player. Aqui não só o presidente nasceu pobre e de uma família com muitas dificuldades. Não só o presidente passou fome na infância e não teve acesso aos bens culturais. Não só ele teve sua casa invadida pelas águas em cheias previsíveis. Grande parte de nossos dirigentes, de nossos oficiais generais, de nosso intelectuais, de nossos professores, de nosso empresários foi forjado na dificuldade, na miséria, na pobreza, na dificuldade extrema.

E o que ensina esta experiência de vida? Ensina a compaixão, ensina que mesmo fazendo tudo certo você pode ser vítima da fatalidade. Você pode ser atropelado pelo destino. Ensina a dividir o que se tem. Ensina a aceitar perda de vidas não com uma resignação bovina, mas com uma revolta positiva. Ensina a não ter soberba, a aceitar a vitória como um prêmio pelo esforço mas não esquecer que outros também se esforçaram e não conseguiram. Ensina a importância de ser o número dois ou três ou nove. Ensina também a rir, a encarar os desafios com altivez a não desistir nunca mesmo quando tudo parece perdido. Que há limites e que esses limites tem que ser respeitados mesmo na mais humilde das casas.Que a dignidade não tem preço.

Ensina a lidar com os poderosos de forma aparentemente servil. De forma dissimulada, até poder ser contestadora, desafiadora. A meter medo nos dominadores através de mandingas e maldições que se não servem para este mundo servirão num outro qualquer. Agora o bastão da liderança começa a ser passado para a nova geração de líderes.

Dentro de mais 30 a 40 anos o Brasil será chamado a oferecer a sua visão original na solução de problemas e conflitos mundiais. Seremos forçados a mostrar que outra alternativa é possível. O que diremos então? Que contribuição filosófica teremos a oferecer a nosso irmãos?

    • Paulo Raimundo
    • 2 de novembro de 2009

    A última foto inserida no texto "Reflexão sobre o Pensamento Brasileiro", ilustra uma cena de superação através do trabalho coletivo e de equipe, demonstrando que a passagem do bastão deve ser precisa, no tempo certo de uma mão segura para outra convicta, que não olha para trás, mas confia na companheira de seu time, em sua tripulação. É como pilotar em voo noturno, por instrumento – voo cego -, mas bem orientado, conhecendo a sua proa, decidido, treinado e planejado. Os atletas brasileiros serão os menos favorecidos com os eventos esportivos anunciados à semelhança do festejado e ilusório "Pré-Sal". Assim, pensam as nossas "elites" (com "ene" minúsculo), irresponsáveis.Quantos pensadores brasileiros, desprendidos de ambições pessoais tentaram no decorrer de nossa história, brigar para que o Brasil cheasse entre os primeiros, com direito ao Podium, na corrida do desenvolvimento, da Ordem e do Progreso? Irineu Evangelista de Souza – o nosso Visconde de Mauá -, os irmãos Andrada e Silva, Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes), Padre Anchieta, Alberto Torres, Silva Jardim (republicano esquecido após a proclamação do novo regime e que morreu ao cair na cratera do Vesúvio). E, quem conhece Cipriano Barata, "apresentou-se diante da multidão amotinada… verstindo casaca de algodão da terra, chapéu de palha e ramo de café nas mãos (…) O chapéu de palha em 1831 era usado nas ruas, inclusive no Rio de Janeiro, como demonstração de adesão à causa patriótica, brasileira e constitucional, em confronto com o campo político do despotismo português A casaca de algudão da terra, isto é, fabricada na Bahia ou no Brasil, siginificava. uma maneira de enfrentar o predomínio britânico na economia atrravés das manufaturas de tecidos (Ghandi fez o mesmo e tornou a Índia independente da \’Pérfida Albion\’). Cipriano propunha, através das vestimentas, que as pesoas usassem preferencialmente, roupas fabricadas no país. Na comemoração do 2 de Julho em 1830, cerca de 3 mil homens, entre civis e soldados, haviam desfilado pelas ruas de Salvador com ramos de café nas mãos, numa imponente afirmação de identidade patriótica (Maroco Morel: Cipriano Barata na Sentinela da Liberdade,Parte III, p. 258-259; Academia de Letras da Bahia e Assembléia Legislativa da Bahia, 2001).O Antônio Carlos Siqueira em seu comentário, nesse Blog, nos provoca ao indagar sobre a contribuição filosófica que nós brasileiros temos a oferecer para os vindouros. Sim, por que esta geração já está perdida. Como foram muitas décadas republicanas, em que os \’Mandarins da República\’ que subistituiram o imperador Pedro II no poder, continuaram (e continuam) imperiais e ditatoriais, adiando nossa emancipação. Trocam-se apenas as moscas. A ferida é a mesma. Permanecemos eternamente o "país do futuro". "Muita saúva e pouca saúde os males do Brasil são" (Mario de Andrade). São as saúvas de paletó e gravata que administram o Brasil há muitas décadas.E, a atleta Maureen Maggie, medalha de ouro em salto triplo, nas Olimpídas de Pequim e festejada pelo seu esforço de superação, está sem patrocínio. Olimpíadas, Copa do Mundo: Já foi dada a largada para mais uma negociata!

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