Há politicos e políticos


Os políticos brasileiros viraram uma unanimidade nacional. Nenhum deles presta.  Amplamente suportado pela mídia tradicional está se disceminando entre nós o pensamento unicista de que todos são corruptos, ladrões, só trabalham três dias na semana e ganham muito. Não concordo com a afirmativa e na verdade acho um desserviço ao país esta tese.

Vamos primeiro analisar que tipo de político temos.

1- Há os poderosos que, depois do poder do dinheiro de uma ou duas gerações, resolvem que devem ter o poder político também. Esses ao chegar ao parlamento procuram “sua turma”, que às vezes é a bancada ruralista, ou a bancada das armas, ou dos industriais. São objetivos e propõem leis que beneficiam suas atividades comerciais diretamente ou indiretamente no caso de perdão de dívidas com a União ou os Estados.

2- Há os políticos que herdam tradição de um outro político maior: pai, avô ou tio. O grande nome normalmente é  um idealista e os seus descendentes mantém a tradição falando de educação, família, ou república. Por sua independência adotam posições diferentes de sua bancada em muitos casos. Carrregam o sobrenome famoso e não se permitem desvios de conceito.

3- Há os que, em função de uma atividade específica, se tornam muito conhecidos e por isso mesmo acabam sendo convidados a se candidatar. É o caso de delegados de polícia, artistas de televisão, jogadores de futebol, cantores. Na maioria das vezes, não resistem a duas legislaturas. Saem frustados do Parlamento pois achavam que poderiam mudar "tudo isso que está ai". Verificam rapidamente que são completamente despreparados para a rotina parlamentar, acabam dependendo de seus assessores parlamentares para tudo e não conseguem emplacar seus projetos, propostas ou idéias que julgavam sensacionais na mesa do bar.

4- Há outros que, em função de uma atividade específica, conseguem votos. Os que proveem atendimento médico são um grande exemplo deste tipo. Os médicos ou apenas patronos dos centros de atendimento atendem muitas pessoas num momento delicado de suas vidas, passando a ter seguidores incondicionais, muito fiéis a seu escolhido e com isso fazem com que o mesmo seja reeleito para várias legislaturas. Normalmente se transformam em grandes parlamentares pois a logenvidade faz com que virem especialistas nos ritos parlamentares. Conseguem emplacar muitos projetos que realmente mudam a vida das pessoas.

5- Há os que decidem se candidatar em função de já falarem para milhares de pessoas todos os dias. O maior exemplo deste caso são os religiosos. Passada a fase de testes, onde comprovaram que o apoio à candidatos era suficientemente forte para elegê- los, passam eles mesmos a ser os candidatos, na certeza de conseguir transferir para si o voto dos fiéis. Pela infra- estrutura que já possuem, como som, luz, microfones, mesas de controle, câmeras, música, instrumentos musicais e pessoal especializado para operá-los e organizar eventos com milhares de participantes, esses políticos também são facilmente eleitos e reeleitos. O problema aí passam a ser as brigas internas já que alguns ficaram por demais poderosos e encontram dissidências e contestações a sua liderança.

6- Há os que viram apoio de grandes lideranças e depois de algum tempo são alçados a lideres pelo mesmo. Inicialmente disputando cargos internos do partido e depois na Assembléia Legislativa, na Câmara ou no Senado esses políticos têm um dilema eterno: trair no não trair seus padrinhos. A maioria trai depois de se sentir suficientemente forte para o voo solo.

7- Há os predestinados. Pessoas que realmente nasceram com o dom de liderar e a vocação de servir. Ao longo do tempo e com a experiência tornam-se grandes conciliadores e conseguem captar a vontade popular, o desejo e aspirações do povo. Normalmente têm origem humilde e uma grande experiência de vida que os habilita a decidir problemas extremamente complexos com sabedoria.
São intuitivos, muito perspicazes, capazes de se moldar às situações e bem-sucedidos.

Esta classificação não pretende ser definitiva, nem exaustiva, mas  a análise de cada uma delas responde ao início do raciocínio. Para grande parte dos parlamentares o valor de seu salário é muito mais baixo do que ganhavam com suas atividaddes anteriores. Ou seja, não ganham muito. Recebem mais nas suas atividades originais.

Quem convive com políticos sabe que na realidade eles trabalham sete dias na semana, todos os dias do ano. Esta é uma atividade que confunde lazer com profissão e é altamente viciante. Alguns dizem que a atividade política só tem porta de entrada. Ou seja, eles não trabalham pouco, nem três dias por semana.

A questão da defesa de interesses é que precisa ser melhor colocada. Do jeito que é a eleição no Brasil, ou seja, voto obrigatório, inexistência do voto distrital, baixa transparência das ações, inexistência do "recall" e de instrumentos de controle mais fáceis de serem entendidos fica difícil cobrar isenção.

Como é o "blend" de nosso parlamentares? Qual é o percentual de cada uma destas "castas"? Difícil  responder pois a cada quatro anos ela é mudada. Mas temos que ser otimistas e lutar para que a cada ano mais políticos vocacionados sejam eleitos e melhor representem os anseios do povo.

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