Uma da origens do roubo público


Recentemente li o bom livro 1808, do jornalista e escritor Laurentino Gomes. Reli também o bom, mas chatíssimo, Casa Grande e Senzala, do Gilberto Freyre. Neles identifiquei uma das causas do que hoje vemos disseminado na classe política brasileira. O roubo aos cofres públicos e a confusão entre público e o privado, disfarçado de várias formas (Gabeira que o diga).

Verifiquei que desde 1500 até 1808, quem roubava o governo era patriota, já que enganando ao Rei o dinheiro ficava no país e era aqui aplicado.
Durante a fase de 1808 até a Proclamação da República em 1889 ocorreu quase a mesma coisa. Afinal, deixando de pagar impostos, sonegando, enganando o Imperador estavam sendo criadas condições de investimento nacional.

Lembre que, quando D. João aqui chegou, foi morar na casa de um grande traficante de escravos. Ou seja, a Corte também dava claros maus exemplos de que o crime compensa e, quando compensa, muda de nome, como diz o Millôr. Antigamente o cara virava Conde, Visconde ou Marquês, dependia da grana, já que os títulos de nobreza no Brasil foram vendidos.

Pois bem, o hábito do cachimbo deixa a boca torta, diz o ditado. Assim, depois de mais de 380 anos roubando e sendo considerado patriota você acha que nossos políticos iriam perder o jeito tão de repente? Nem pensar! Serão precisos outros tantos anos para que se desacostumem. Ou então, que mandemos muitos para casa e reformemos realmente as Câmaras.

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