Brasil Colônia ou Brasil Império?


O Brasil nunca foi pensado como colônia de Portugal. O que mais se vê nos documentos e conceitos portugueses é a consideração do Brasil como o próprio Portugal. São os territórios ultramarinos, como era a ilha da Madeira e outros, mas são Portugal.

Quando da organização da transferência da capital do Reino Português de Lisboa para o Rio de Janeiro, ninguem falou em ir para a Colônia Brasil. Se o desejo de D.João fosse apenas fugir do cêrco de Napoleão, iria com certeza para a Inglaterra, sua aliada na época. Seria um viagem curta e bem conhecida. Transferir a côrte para o Brasil era uma idéia antiga que aparecia como  hipótese a ser discutida toda vez que havia alguma ameaça. 

No livro 1808, o escritor Laurentino Gomes cita na página 47,"Em 1736 o embaixador português em Paris, Luiz da Cunha, escrevia num memorando secreto a D.João V  que Portugal não passava de "uma orelha de terra" onde o rei " jamais poderia dormir em paz e segurança .  A sugestão era levar a capital do Reino para o Brasil, mais específicamente para o Rio de Janeiro.  

D. João na fala de despedida à seu filho Pedro, que não quis assumir o trono em Portugal, falou em separação dos dois reinos. Os documentos anteriores a criação do Reino do Brasil, Portugal e Algarves já falavam nisso. 

Há sempre que se distinguir quando se fala em Colônia. Uma coisa é a dependência econõmica, cultural e financeira. Outra coisa é ser império ou colônia em pensamento, em filosofia. Se o conceito de dependência for levado a extremos continuamos colônia sobre alguns aspectos.

Os nascidos em qualquer território ultramarino eram portugueses. Assim tambem era para os nascidos no Brasil. Não eram brasileiros. Eram portugueses nascidos na Bahia , no Rio ou em qualquer outro local de domínio português. Até hoje é assim . Filhos de portugueses nascidos em qualquer país são portugueses nascidos naquele local, não importa se Nova York ou Paris. 

José Bonifácio de Andrade e Silva, cognominado o “patriarca da independência” era português, embora nascido em Santos, no Brasil ele tinha estudado em Coimbra, era um dos reformados do Marquês de Pombal. Viajou pelo mundo todo com “passaporte” português.

Pelo tratado de reconhecimento da independência brasileira, D. Pedro manteria sua posição como Príncipe Real e herdeiro da corôa portuguesa. Então era uma separação amigavel, que custou cerca de 2 milhões de libras ao Brasil.

A cobrança de impostos que tanta dor de cabeça deu, com a Inconfidência Mineira, era a mesma para o Brasil ou para Portugal. O regime era uma monarquia absolutista, cobrava-se de todos. Não havia distinção. A côrte não fazia nada em Portugal e não fêz nada no Brasil. Os movimentos libertários em todo lugar do mundo, especialmente os da França, visavam acabar com este relacionamento entre Estado e cidadão.

Ou seja, o Brasil nasceu como um Império, o Português, separou-se e continuou um Império. A vocação imperialista brasileira levou outros 150 anos para se manifestar mas desde a década de 60 o Brasil tem uma posição imperialista na América do Sul. Hoje esta vocação aparece com mais intensidade e nos próximos 40 anos vai se acentuar. O sonho do Império Português na América enfim será realizado.

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