American Visitor – Politica


Quero começar por discutir um dos pontos que julgo pouco entendido pelos analistas e críticos do sistema eleitoral americano. A incompreensão vem quando se discute se o sistema eleitoral facultativo e proporcional, como o adotado nos USA, conduz a baixa participação popular.
Estima-se que 50% dos eleitores compareçam as eleições. Com isto, com 25% mais 1 dos votos seria possível ser presidente dos Estado Unidos da America do Norte, se a eleição fosse direta, já que há apenas dois partidos com possibilidade de eleger um presidente. Como ela é indireta este raciocinio não é aplicavel. 

Na verdade um presidente americano pode ser eleito com cerca de 10% dos votos dos eleitores registrados, levando-se em conta o método do “vencedor leva tudo”. Isto não quer dizer que apenas 10% votaram nele . Apenas que a estes 10% foram delegadas as responsabilidades pela decisão.

Mesmo nos países com voto obrigatório, como o Brasil, basta alcançar 30% do eleitorado para garantir o segundo turno , já que há um grande número de votos nulos, em branco e ausências. No ano de 2006 o total do eleitorado brasileiro era de 125.913.479 e houve 95.996.733 votos válidos.Como há um grande número de candidatos e partidos há uma maior diluição de eleitores.

De acordo com Stephen J. Wayne a participação americana nas primárias cresceu de 11% em 1968 para 15% em 2000. Estimo que na próxima eleição americana este percentual atinja os 18% muito influenciado pelos acontecimentos havidos em 2000 quando a eleição americana foi decidida por pequna margem e votos e houve contestação do resultado e toda a sorte de denúncias de favorecimento a um dos candidatos.

Na verdade o que interessa ao eleitor americano  não é a eleição presidencial. Para isto ele já elege o seu representante distrital. O americano médio é chamado a se pronunciar várias vezes durante um ano em eleições diretas que lhe interessam muito mais. Desde   os representantes do comitê de educação que elegem o diretor da escola pública, ao do comitê que cuida da  biblioteca municipal. Há um claro entendimento, antigo por sinal, que o cidadão vive no município e não no estado ou país. De uma forma geral o governo central é algo a se desconfiar, algo a se temer, algo a ser contra.

Cabe sempre ao partido definir quem é o presidente. O candidato tem que se comprometer com o ideário do partido e discutir longamente, durante as prévias, os temas locais e definir sua posição a respeito. Por  isso mesmo não há grandes diferenças em relação aos temas como agricultura, proteção a indústria local, proteção ao emprego, tarifas protecionistas e outros temas que interessam ao resto do mundo.

Como os poderes são independentes o presidente na verdade é apenas o “xerife” ou o sargentão ou o gerente, durante o período para o qual foi eleito. Embora tenha muito poder, compete a ele fazer cumprir a lei. Em grande parte dos casos, o Congresso ou o Senado são controlados por adversários políticos, estes sim legisladores.
O presidente fica então com o comando do aparato repressor,  de segurança, fiscalização e de guerra. Isto tambem explicaria a imensa população carcerária americana. A maior do mundo segundo os dados existentes. E tambem a participação constante de forças americanas em conflitos externos.

Verifico tambem que a opinião média americana é levada a acreditar que seu país participa e ajuda a todos os outros em momentos de infortúnio. Embora isto seja verdade é apenas uma pequena parte do problema. Por isso mesmo não entendem o sentimento anti-americanista registrado em várias partes de mundo com maior ou menor intensidade.
Tambem há uma forte disseminação de informações mostrando países estrangeiros como corruptos e incompetentes. Assim nada mais natural ao americano médio do que apoiar, em princípio, atos belicistas de seu governo central. Seja para restaurar a democracia, seja para banir dirigentes larápios, seja para evitar ameaças externas.
Sem dúvida as gerações americanas aprenderam a valorizar o legado dos seus antepassados e a entender que  demonstração de poder militar solidifica a liderança econômica e política.

Outro dado interessante da política americana diz respeito a influência de recursos próprios ou de capacidade arrecadação de recursos. Os valores envolvidos numa campanha são altos e um dos pricipais fatores de avaliação se a mesma vai bem o mal. O perfil do congresso mostra que inúmeros milionários se tranformam em congressistas ou senadores. Penso que por diversos fatores os americanos encaram os homens ricos e de sucesso como “escolhidos”. A utilização de tecnologia com a sistemática pesquisa de opinião e os dados geo-referenciados são outras características das eleições americanas.

Stephen J. Wayne é professor de Estudos sobre Governo da Universidade de Georgetown em Washington, D.C., e autor do livro The Road to The White House 2004 (O Caminho rumo à Casa Branca) (Thomson/Wadsworth, 2004).

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